Do caos à lama

(em construção) O que motiva uma pessoa de poder de uma nação decidir por medidas que vão contra o desenvolvimento de sua própria nação? Para além do individualismo, será que existe algum sentimento de desamor? De rejeição? Uma falta de empatia com os próprios contemporâneos? Uma falta de sentimento de grupo? Quem é seu ingroup e quem é seu outgroup?

O presidente da Polônia está fechando as rádios e aceitou colocar uma base americana lá. O presidente interino do Brasil está tomando várias medidas para diminuir o bem estar social. Essas pessoas só podem ser contra os próprios contemporâneos né? Não vejo sentido algum em um polonês, assim como um brasileiro, adotar medidas que tirem a liberdade e o bem estar de seus contemporâneos se não for por um ódio pelo próprio povo e próprio país. É muito desestimulante ver e sentir isso tudo acontecendo. Será que está surgindo uma nova guerra pela Europa e até no Brasil? Será que estamos caminhando para a auto destruição?

Por mais q as pessoas digam que as baixas no bem estar social acontecem em ciclos, e como tal, tem quedas periódicas, as quedas modernas podem ser potencialmente mais nocivas hoje em dia do que antigamente. Isso porque atualmente temos tecnologias mais potentes e porque temos cada vez mais uma falsa sensação de estarmos mais inteligentes, graças ao acesso fácil à notícias e outras ideias através das mídias. Cremos que sabemos mais do que realmente sabemos. E não crer na própria ignorância pode ser bem perigoso, levando-nos a tomar decisões mais precipitadas e mais auto confiantes. Um excesso de autoconfiança agregado a pensar pouco antes de falar ou agir, pode nos levar a uma auto destruição mais ligeira. Sim, uma auto destruição a longo prazo. Ou você acha que acabar com os direitos do povo nunca vai prejudicar o seu próprio bem estar ou o de seus familiares? Através da filosofia a curto prazo centrada na lógica capital de acumular capital infinitamente, há de se gerar um bem estar momentâneo para aqueles que cortaram o bem estar de toda uma população em detrimento do seu e de sua família. Mas a lógica do acúmulo (de capital e de outros bens) não obedece um padrão previsível. Seus infinitos preditores podem mudar a lógica capital em instantes, e quem era rico em um dia pode amanhecer pobre no dia seguinte. O dinheiro não tem validade ou valor determinado e fixo. E sem o bem estar social garantido a todo e qualquer cidadão, o seu próprio bem estar pode vir a ser prejudicado.

Além de que, sem rádios e sem bem estar social, uma população não se desenvolve. Ideias importantes para a humanidade são potencialmente apagadas. Sem comida, água, moradia, saúde e segurança não se pensa. Só estamos livres para pensar em outras demandas depois que as básicas estiverem garantidas. O capacidade no laburo diminui. A produtividade de fábricas, comércio, serviços, empresas públicas e privadas, obviamente, também diminuem. Por mais que se queira que trabalhadores trabalhem 15 horas por dia e ganhem mixarias,eles terão menos tempo de vida, pois adoecerão mais rapidamente. Obviamente os da high society querem objetificar cada vez mais as pessoas para alcançar seus interesses individuais. Querem que hajam um milhão de zumbis para um bilionário. A desigualdade cresce, a criminalidade acompanha. A criminalidade é geralmente ignorante, pressionando as pessoas erradas, cidadãos comuns que trabalham muito, embora geralmente sejam de bairros melhores. O aumento da criminalidade aumenta a hostilidade e a corrupção policial. Nisso tudo os zumbis, que não sabem que o são, porque são iludidos com um sonho americano que finge não segregar, ou ainda através do acesso a bens materiais supérfluos impulsionados pela mídia, continuam a viver e a praticar o auto engano de serem inteligentes o suficiente para tomarem suas próprias decisões de forma consciente e voluntária, e assim, o sistema doentio continua.

O auto engano nos levaria a continuar tomando decisões erradas, sejam antipatrióticas ou auto destrutivas, anti democráticas. Ao mesmo tempo o instinto individulista do ser humano levaria a tomar decisões auto centradas, nocivas aos outros. A bola de neve aumentaria, porque o auto engano nos leva a acreditar que estamos fazendo a coisa certa, não nos deixando perceber que prejudicar aos outros é prejudicar a nós mesmos, em uma escala diferente de tempo. E que permitir que nos prejudiquem é ser conivente com o sistema. Mas não conseguimos pensar pelos outros, e nem ter perspectivas a muito longo prazo. Não conseguimos entender que fazemos parte de um todo, de um sistema histórico e cultural maior, e que somos inderdepentes uns dos outros. Afinal, nossa espécie provavelmente sobreviveu graças à cooperação.

Só que também não conseguimos lidar visualmente com uma grande quantidade de itens, avalie lidar com uma grande quantidade de unidade de tempo que não é visível e é altamente subjetiva. Não é possível pensar a longo prazo sobre o bem estar social considerando aspectos da história, cultura, sociedade e economia. Assim, o auto engano sobre nossa inteligência e que estamos tomando decisões voluntárias e conscientes, o individualismo inato, a lógica do acúmulo capital, as tecnologias de destruição e manipulação de massa, a incapacidade de pensar a longo prazo e a ignorância da importância da coletividade me leva a pensar que o caos prevalece. Embora tenha essa teoria de buteco, acredite que podemos reverter o cenário, aos poucos, pensando a bem longo prazo, do jeito que já vimos fazendo ao longo da história. Além de que não podemos desistir, já que os fatos ocorridos até hoje não determinam os que estão acontecendo e que podem acontecer. Não há nada determinado, como diria Paulo Freire. Afinal, a história se contrói no agora. É um ir construindo constante. Então embora pessimista, tenho esperanças.

Vejo algumas soluções.. como disseminarmos a ideia de auto respeito e respeito com os outros. Não confundir liberdade de expressão com liberdade de opressão. Disseminarmos a ideia de que o mundo só sobreviverá se as pessoas tiverem auto consciência crítica sobre si mesmo, observando constantemente seus sentimentos e palavras, no intuito de não ser um opressor nem aceitar ser oprimido. Os opressores não podem passar, sejam eles de ideias progressistas ou de direita. Os oprimidos tem que aprender a se impor com respeito e tolerância, sem virar um opressor. As esquedas precisam unir suas forças, baseadas no objetivo em comum e não nas táticas e estratégias para se alcançar elas. A tolerância com ideias diferentes tem que ser exercida o tempo todo. A coerência com o radical, tolerância e não conivência fazem parte da lógica do “nem oprimido e nem opressor”. Pensar criticamente e profundamente. Exercer a práxis. Ler, conversar, se informar e discutir. Sem ego, mas com respeito a todos, inclusive a si mesmo. Construir ideias juntxs, e não sobrepor uma ideia à outra. Discutir qualquer ideia não se trata de uma competição. Trata-se de dialogar. E num diálogo, esteja aberto a perguntas e questionamentos, assim como sinta-se livre para fazê-los. Acho que apenas os que sabem cooperar sobreviverão. Se nos organizarmos em comunidades menores (o que não significa eliminar avanço tecnológico e da ciência), conseguiremos nos organizar socialmente melhor e a cooperação há de prevalecer.

O ser humano veio da lama, já que os primeiros seres vivos provavelmente se formaram em uma lama primordial no mundo primitivo. Da lama fomos ao caos. E do caos voltaremos à lama, seja em vida ou em morte. Na coletividade, naturalidade e simplicidade, ou constituindo a própria lama.

Sentimento ingroup e outgroup para ricos em “países em desenvolvimento”. Quem é o grupo deles? Evolutivamente falando, deveria ser outros ricos, pois assim eles não perderiam sua riqueza com possíveis “bixos”…..

Um exemplo que acabei de ver. O Banco do Brasil está inacessível (caixas de auto atendimento e o aplicativo) há algumas horas (5 de agosto) e um dos reclamantes disse: “nada funciona neste país, só as Olimpíadas! Tenho nojo desses patriotas que defendem um país que não faz nada direito… Privatizem essa porcaria!! Quem sabe melhora.”. Isso corrobora parte da minha ideia de que só quem quer que privatize é quem sente-se parte de outro grupo que não o próprio país. Como construir um sentimento de unidade, sem ser taxado de patriota idiota, no meio de caos e lama, ao mesmo tempo?

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