Que as particularidades se respeitem

(em construção, precisando de revisão..)

Vou dizer pra pai que acordei de meio dia? Hunm.. ele merece saber quem eu realmente sou. O que ele pode fazer além de se sentir frustrado com a minha aparente preguiça? Sim, porque quem gosta de dormir carrega o estereótipo de ser preguiçoso, de não viver a vida. Mal sabem essas pessoas que julgam ser desnecessário dormir, porque lhes aparentemente tira horas para viver (que ironicamente muitas dessas pessoas vivem a maior parte de suas vidas através das mídias), que dormir é tão importante quanto comer, beber água, se exercitar e ter uma boa rede social. Mal sabem eles que é durante o sono que consolidamos nossas memórias, reorganizamos nossos pensamentos,  sentimentos (não cientifcamente evidenciado) e as células do nosso corpo metabolizam vários componentes importantes para o nosso dia a dia.

Dormir bem e a quantidade de horas suficientes é fundamental para uma vida longa e saudável. E essa quantidade de horas varia entre as pessoas. Já vi gente dizer que precisa de 5 horas, a maioria de 8 horas e poucas de 10 horas. Eu estou entre as que precisam de 10 horas. E já perdi a conta de quantas vezes disse que gostaria de precisar apenas de 5 horas. Mas parando pra pensar direitinho, eu gosto de dormir bem. Quando durmo 7 horas por dia, no segundo dia estou me arrastando. Então por que esconder isso? Devo respeitar minha fisiologia ao invés de me envergonhar dela. Do mesmo jeito que valorizo minha memória muscular e rápido metabolismo, devo valorizar minha necessidade de sono. E ainda, acredito que essa minha necessidade grande de horas dormidas se deva justamente às minhas outras característcias fisiológicas e comportamentais as quais valorizo e respeito.

Meu corpo e minha mente (através de pensamentos e desejos conscientes e inconscientes) devem estar em harmonia, afinal deveriam ser uma coisa só. E meu comportamento deve ir na direção dessa harmonia, de perceber minhas necessidades fisiológicas, meus limites, e me comportar apropriadamente, respeitando minhas particularidades. Tenho que conversar o tempo todo com o meu corpo, entendendo o que lhe faz bem e o que faz mal, e assumir o que me faz bem (desde que não desrespeite outros e sem confundir vício com necessidade). O corpo fala, a mente escuta. A mente fala, o corpo escuta. Então não vou mais esconder-me através do convencionalismo. Caso me esconda estarei colaborando para que o mito do dorminhoco-inútil seja perpetuado, e estarei deixando de colaborar para a queda do convencionalismo ignorante.

Então não direi que gostaria de dormir menos, mas sim que preciso de dez horas por dia e que menos do que isso me sinto muito cansada. Minha fisiologia sabe o que faz. E sempre, sempre, comunicar o corpo com a mente, pra evitar cair na tentação do vício, por exemplo. Quando quero comer açúcar, preciso prestar atenção se meus vasos já não estão possivelmente saturados com gordura, refletido na gordura sobre a minha pele, e que isso não é adaptativo. Comer um saco inteiro de cheetos me faz sentir um incômodo no estômago: é meu corpo falando com meu cérebro pra não fazer isso de novo porque não é adaptativo. Já dormir o que sentimos necessidade é adaptativo. Temos que fazer essa distinção entre o que nos faz bem e o que nos faz mal.

Pra assumir minha dormilância preciso estar preparada para comentários estereotipados. E pra isso preciso ser forte para não acreditar neles, nem inconscientemente. E quem sabe estarei forte suficiente para conversar, sem truculência, sobre o comentário ser esterotipado. De repente eu até ajudo, por difusão, outras pessoas a assumirem característcias pessoais não aceitos pelos padrões convencionais (desde que não sejam perversos ou desrespeitosos), pois elas poderiam ver (se eu conseguir chegar nesse nível) que podemos ir contra as convenções sem truculência com o próprio eu e os outros.

E pensando mais um tanto, é lindo que cada um se assuma. Por que privar meus queridos de saber que gosto de dormir e que geralmente acordo de 10h porque vou dormir de meia noite? Por que privá-los saber outros detalhes que me compõem? Dizer-lhes, sem ter vergonha, não lhes mudará em nada suas vidas. Poderá mudar sua percepção sobre mim. Mas que mudem. E se me julgarem errado, espero que um dia enxerguem que estão se comportamento como a massa, e não como um indivíduo pensante. E sim, mudará minha vida. Porque é frustrante gostar de dormir e não poder assumir. É frustrante usar uma máscara diante dos meus queridos. Quando eu morrer, ou eles, quero que saibamos quem realmente somos. A vida é isso, não é? Minhas particularidades, as particularidades dos outros (incluindo a natureza como um todo :). Assumir suas particularidades respeitando os outros é impor-se. É deixar de ser oprimido sem oprimir.

As pessoas que me julgam hoje também têm suas necessidades pouco convencionais que não podem ser assumidas. Isto é, ninguém está isento de ser estereotipado. E se a gente não assumir nossas particularidades, quem seremos? Uma massa, que oprime porque é oprimido. Quero sair dessa massa. E mostrar aos meus queridos e chegados que tudo bem, a gente pode assumir naturalmente, sem truculência, nossas necessidades (desde que não sejam perversas). E sim, sua concepção do que é perverso não pode ser enviesada pela religião, mas sim pela bondade, amor, compaxão e respeito.

Parêntesis: sei que essa minha questão não chega nem aos pés do que seria gostar de mulheres e estar no processo de assumir isso. Mas concordamos que uma causa não anula a outra, né? E que pra mim, por mais banal que esta minha “causa” pareça, ela interfere muito no meu dia a dia. Portanto, se trata sim de uma reflexão importante, e que pode ser usada para outros tipos de causas, como a homossexualidade, embora eu saiba que os homossexuais são infinitamente mais oprimidos no seu dia a dia e precisem\cheguem a reflexões muito mais profundas sobre a sociedade. Mas como disse, minha causa não deve anular a de qualquer outra pessoa, e vice versa. Lutemos,  silenciosamente ou através de palavras escritas ou faladas, internamente e\ou externamente. Pelas nossas particularidades que se respeitam e não pela convenção que anula e esmaga.

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