A respiração na evolução humana

Vou colocando as ideias chaves e a media que for tendo tempo, vou conectando melhor elas e acrescentando novas informações.

Um amigo (best friend) me ensinou a controlar a respiração para meditar, há uns meses. Começo com 4 segundos, simetricamente: 4 segundos inspirando, 4 segurando o ar nos pulmões com a barriga estufada (bem estufada), 4 soltando e 4 totalmente sem ar.. aí vou aumentando os segundos em cada parte até o máximo possível. Geralmente 10 segundos.

Daí li um blog, ontem, dizendo que até caminhando é possível meditar. Mas não citava a técnica da respiração. Então juntei a técnica com algumas atividades básicas que faço frequentemente. A qualidade dessas atividades melhorou muito e resolveu minha prisão de ventre.

Nisso comecei a viajar sobre a importância da respiração para os humanos. Imaginei se os chimpanzés, primatas mais próximos a nós, também sabiam controlar a respiração. E se sim, se isso lhes conferiria alguma vantagem adaptativa. Lembrei que alguns deles nadam. Isto é, de alguma forma eles controlam sua respiração, prendendo-a para não entrar água. Mas creio que eles não nadam por trechos muito longos. Tenho que checar essa informação.

Mas será que ter o controle da respiração forneceu alguma adaptação para os primeiros Homo sapiens? Será que alguns humanos conseguiam nadar e prendiam sua respiração? Nosso corpo favorece o nado, já que conseguimos esticar bem as pernas e braços, ao contrário da maioria dos demais primatas.E, considerando a linearidade do corpo da maioria dos peixes, imagino que essa fôrma do corpo é super importante.

Será que saber nadar foi uma adaptação necessária para nossa sobrevivência? De repente aqueles que sabiam nadar, por controlar melhor sua respiração, tinham mais fôlego para caçar, correr e fugir de predadores do que aqueles que não sabiam. Até hoje em dia, se compararmos um nadador amador, com um futebolista amador, o nadador ganha e muito em termos de fôlego. Além disso, nadar obriga ao nadador, controlar sua resiração e melhorar ela e por isso é um dos remédios mais indicados para os asmáticos. Trata-se de uma reeducação respiratória e aumento da capacidade dos alvéolos pulmonares.

Além de conferir aumento da capacidade dos alvéolos pulmonares, respirar bem através do nado pode ter provocado uma maior oxigenação do nosso cérebro ancestra, aumentando, de repente, a conectividade entre as áreas (aumentando as assembleias, por exemplo).

Então, será que aqueles que sabiam nadar, há 200 mil anos atrás, tiveram maior sucesso na caça, coleta e reprodução? E para isso, não seria necessário ter um gene do nado ou da boa respiração, afinal, nadar é um ato culturalmente transmissível. De repente as famílias que passaram a ter a tradição de nadar tiveram mais sucesso reprodutivo do que as demais, ou mesmo um grupo em relação ao outro.

Só que, obviamente, em muitos locais não dá pra nadar de tão fria que a água é. E mesmo que você entre numa água congelante como a do país de Gales, é quase impossível colocar a cabeça dentro da água e controlar a respiração. Não dá pra nadar, muito menos pra controlar a respiração pelo nado com águas tão congelantes. Mas pensemos, qual era a temperatura da Terra de 200 mil anos até uns 100 mil anos atrás? E talvez a arte milenar da meditação tenha surgido a partir da consciência de que o importante não é nadar em si, mas controlar a respiração. E assim, esse avanço comportamental poderia ser praticado em qualquer parte do mundo.

Se até aqui meu devaneio estiver bem encaminhado, poderíamos pensar que alguns humanos foram, instintivamente, aprendendo cada vez mais a prender sua respiração, assim como o fazem na meditação. Será que, com milhares de anos, algumas pessoas passaram a controlar tanto a respiração a ponto de haver uma divergência entre homens aquáticos e terrestres? Isso explicaria a lenda das sereis. Parece muito viagem, mas inacreditavelmente conhecemos mais a superfície de Marte do que as profundezas dos nossos oceanos. Dele só conhecemos 6%. Isto é, nada. Por que acreditar que somos a única espécie de Homo existente? Óbvio que estou mais pra louca do que coerente. Mas não me surpreenderia se esse meu devaneio tivesse algum fundo de verdade.

Imensidão Azul me inspira a pensar nisso, certamente, mostrando a realidade de pessoas que passam muito tempo sem respirar embaixo dágua. E isso, se ensinado a uma criança, como foi a mim, vira uma cultura. E sabemos que a cultura tem forte influência sobre nosso comportamento, inclusive sobre nossa fisiologia e até genes. Além disso, nos nossos primeiros meses de vida respiramos líquido amniótico. De repente, se nunca sairmos dele, nossos pulmões continuam funcionando na água até um período crítico, e depois pode se adaptar a respirar em ambiente líquido ou aéreo?

Ou ainda, retomando um pouco, será que nadar fez com que, gradativamente, nossos ossos fossem se endireitando cada vez mais?

Respirar melhor e mais pausadamente, isto é, ciclos mais longos, aumentam a longevidade dos seres vivos? Como os seres vivos respiram? Há diferença de longevidade entre pessoas com ciclos diferentes de respiração ou capacidade respiratória?

A respiração no parto normal deve ajudar no nascimento. Será que essa técnica existia antes, naturalmente desenvolvida, e deixamos de praticá-la com o passar do tempo?

Imensidão azul.. soneca.. dormir.. leveza.. tranquilidade.. paz.. natureza..

Para pesquisar…

  • De que época são as primeiras evidências de uma pessoa nadando?
  • Existe uma hipótese sobre a divergência entre humanos aquáticos e terrestres?
  • Nosso corpo é perfeito pra boiar. Quais são os outros animais que boiam? Como é a vida deles?
  • Quais são os animais terrestres que prendem a respiração na água por algum tempo?
  • Belungos seriam hominídios que se divergiram dos hominídios terrestres e passaram, gradativamente, a viver na água? Será que daí vem os mitos das sereias? E por que só mulheres? Por que geralmente são mais sensitivas?

Daria pra fazer um experimento com ratos. Ver quais os que têm menos aversão á água e passam algum tempo nela. Ou simplesmente medir os ciclos de respiração deles, deixá-los em uma jaula gigante, parecida com o ambiente natural, e verificar, após um ano, qual deles teve maior sucesso adaptativo (maior número de netos).

 

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