Recortes feministas

O trecho abaixo foi inspirado em…

Feminismo, Militância e Autocuidado

Achei este texto ao procurar algo feminista que falasse sobre a importância do autocuidado da mulher em um relacioamento, motivada pela problemática de um amigo.. Ele tem dando muito suporte a uma companheira que está entrando em depressão por sentir-se em uma situação desconfortável, a de querer terminar seu namoro a distância mas não fazê-lo porque seu namorado está com depressão. Então ela está deixando seu bem estar de lado para promover bem estar pra ele. Ela está entrando em depressão pra ajudar ele a sair de uma. E acho que isso se encaixa muito com o papel da mulher submissa em nossa sociedade.

E lendo o texto, que fala sobre o auto cuidado, a práxis militante e o feminismo cheio de amor, tive as seguintes reflexões..

Feminismo cheio de amor não significa defender o amor sexista. Defendo sim a percepção de que o amor não é excesso nas mulheres, mas é falta dentre os homens. Nós não devemos deixar de amar, eles que devem aprender a amar, respeitar e zelar mais. Inspirem-se em nós, homens. O contrário não: nós não devemos imitar eles para nos livrarmos das correntes machistas. Imitá-los significaria colocá-los num lugar de ideal modelo a seguir, e bem sabemos que não lutamos por isso, mas sim pela liberdade individual da mulher, como quer que ela queira ser. Mas voltando ao amor: não, amar um cabra que te subjulga não está certo. A regra do amor é simples e aplica-se a si próprio também: ame a si mesma e aos outros, e não aceite o desamor como sendo perdoável, normal ou saudável. Assim ninguém subjugará ninguém.

Estre trechinho abaixo é por inspiração própria…

Aqui falo para as mulheres que, assim como eu, são admiradoras do amor. E tudo bem eu ter aprendido a amar. Pena de quem não aprendeu. E não vou deixar de amar o próximo porque sou mulher e tenho que escolher dualismos que remetem ao amor\desamor, amada\amável, oprimido\opressor. Não somos dicotomia, somos um contínuo altamente mutável, conforme a situação, a pessoa com quem interagimos, o contexto, nosso humor, etc. Não sou de comportamentos masculinos ou femininos, sou mulher que luta pela minha liberdade e a das companheiras (além de outras lutas). Adoto os comportamentos que acho certo toda a humanidade adotar, independente de sexo e gênero. Mas ainda assim compreendo as diferenças, desde que não opressoras.

Não quero deixar de ser oprimida, oprimindo. Nem penso que os opressores deixarão de sê-lo, oprimindo-se. A luta certa, adotando Paulo Freire (A sombra desta mangueira), é o opressor deixar de ser arrogante e deixar de oprimir. E o oprimido deixar de se humilhar, sem deixar de ser humilde. A humildade deve estar presente em ambos os processos, tanto para o opressor deixar de ser opressor e o oprimido não se tornar opressor.

Para o oprimido deixar de ser oprimido parece ser mais tentador ser opressor. Talvez seja até mais mais fácil deixar de ser oprimido oprimindo, porque todo mundo sabe ser arrogante e subjugar, uma vez que as sociedades humanas estão muito acostumadas com a existência de hierarquias. Além disso, quando não se tem bons argumentos, ou até se tem mas não se tem a prática ou a mínima vontade de expô-los, o que resta é a agressão verbal.

Não se pode mudar o mundo com guerra e violência. Isso já temos demais e já vimos que nada resolve. Uma boa forma de nos empoderarmos é, primeiramente, deixarmos de ser oprimidas. Ter fala, vontade e expressão, direitos e individualidades respeitadas, inclusive entre nós mesmas. Depois aprender a contra argumentar praticando a tolerância, com coerência radical e sem qualquer tipo de conivência, mesmo que pareça ser inocente. Mas claro, o conselho aqui é aprender a contra argumentar com tolerância e sem conivência, mas não sempre contra argumentar mesmo quando não se quer. Isso seria desrespeitar a individualidade. E sim, não quer dizer que aquelas que forem intolerantes devem ser crucificadas. Ser intolerante também faz parte da liberdade de ser quem se é e quem se quer ser.

Mas às convictamente intolerantes, pensem que muitas vezes vocês findam sendo intolerantes com outras mulheres, e ao invés de praticar a sororidade e o aumento do bem estar daquela mulher que você jula apoiar o machismo, lhe causará mais opressão. E imagine que, num mundo hipotético e caótico, os homens deixam de existir. Quem passará a excercer um papel semelhante ao deles serão as mulheres opressoras, principalmente as intolerantes pelas diferenças. Diferenças estas que são a bandeira do feminismo: poder ser quem se quer ser. Refletir, logo ser e lutar. Não há estratégias ideais para seguir, por mais que estejamos mergulhadas em uma sociedade que nos impões comportamentos, não é justo classificar todos os comportamentos de uma forma binária: machista, não machista, machista, não machista. Todo o contexto deve ser levado em consideração.

Pra mim, a solução é o amor, independente de gênero, e a união entre as mulheres. A sororidade é um passo incrível nessa direção.

Me considero uma pessoa iluminada e me admiro por isso. Assim como admiro todos os que praticam o amor, independente de sexo e gênero. Sou uma pessoa leve, prática, criativa, que articula as pessoas e a mim mesma, que aprende com cada situação. Longe de me achar perfeita (nem busco essa tal perfeição que muitos acreditam existir), sou uma pessoa comum, daquelas cheias de amor e otimista. Muito otimista. Mas também racional, e algumas vezes maquiavélica. Outras vezes introspectiva demais na minha lândia. Adoro conhecer, compreender, aprender e apreender outras realidades, para ver praticar a minha teoria da mente e respeitar outras realidades. Assim amplio meu olhar, por onde olhar e minha consciência do mundo.

Falo um pouco de mim porque gosto e tenho poucas oportunidades para fazê-lo. Nem todos sabem ouvir, independente de sexo e gênero. Todos querem falar, falar, falar. São tagaleras que falam por falar, apenas pra mostrar o quanto são incríveis e importantes. Ou simplemente não aprenderam a aguçar a audição e, assim, isolam-se em suas meias verdades. Muitos outros não ouvem porque estão sempre apressados. Então têm relações rasas, pouco profundas, perguntam por perguntar, riem e vão embora. Outros não sabem ouvir porque por qualquer coisa que fales, se ofendem, achando que são o centro de todos os mundos, são os ditos neuróticos. O diálogo é importante para as relações humanas, para a práxis. Já a tagarelice é importante apenas para o ego. Felizmente tenho alguns bons amigos com os quais praticamos o diálogo, e é lindo demais estar com eles. Respeitar as pausas e os silêncios orgânicos, sem se incomodar, é fundamental para bons diálogos a longo prazo.

Nesse sentido, a minha luta feminista é a do diálogo com tolerância, sem conivência e com coerência radical. Não segregacionista. Não pretendo me separar dos homens, nem torná-los meus inimigos. Quero e exijo respeito deles, pra mim e pra todas as mulheres. Não me acomodo quando vejo qualquer injustiça, por mais discreta que seja. Quero sair, a cada dia mais, do lugar de oprimida, mas sem me tornar opressora. Essa é a minha luta. Mas ainda assim respeito a luta de companheiras que não estão abertas a praticar a tolerância, que são agressivas e não dialogam com muita facilidade. Entendo que são personalidades diferentes. E entendo que poderei colaborar mais em um grupo cuja maioria das mulheres tenham uma personalidade parecida com a minha, caso contrário me frustrarei por minhas ideias e opiniões serem desconsideradas em um grupo segregacionista e que defende a intolerância em muitas situações. Posso ser forte sem ser opressora. Posso ser radical sem me sentir mal agredindo alguém. Mas entendo que existem outras realidades. E que bom que existem várias realidades, pois a nossa luta ganha forças nas diferenças, com os diferentes grupos combatendo o machismo de todas as formas. Mas quando for necessário união, que os grupos se unifiquem.

Trecho abaixo copiado do site: http://biscatesocialclub.com.br/2015/06/sobre-o-lugar-da-rola-na-utopia/

Mas então, Luciana, vamos levantar a bandeira de homofóbico e jogar pedra no moço que mandou o outro moço procurar uma rola? Olha, eu vejo bem muito filme esquemático, tipo faroeste. É lá eu exercito o joguinho bem X mal. Na vida cá fora, um pouco mais de complexidade cai bem, acho eu. Para além do pensamento e das reações binárias tem um monte de outros caminhos. Como, por exemplo, o que prefiro: achar super legal o resto da conversa e dizer, “mas, opa, isso da rola não”. Sexo é bom consentido e por prazer, não forçado como resposta pra problemas de comportamento e ideologia. Nós e o moço da tv vivemos nessa sociedade. Fomos formados por ela. Isso implica em termos arraigados vários preconceitos. Isso significa que mesmo estando do lado das causas mais justas, mesmo militando contra a discriminação, mesmo querendo construir uma sociedade mais inclusiva e igualitária, a gente vai se valer, vez ou outra, de termos, comportamentos, análises que reproduzem justamente o que queremos desconstruir. Eu super entendo que a gente escorregue. Eu escorrego que só (tenho joelhos ralados pra provar). Mas a gente só sai do lugar reconhecendo os desacertos e fazendo melhor da próxima vez.

http://biscatesocialclub.com.br/

Meu convite é um pequeno convite à subversão. Tomar um banho se ensaboando lentamente, longe do espelho, deixando as mãos descobrirem curvas, veredas, permitindo-se sentir o prazer do toque. Cheirar o próprio pulso, o sovaco, a calcinha. Lamber os dedos. Sentir o gosto do próprio suor. Deitar nua na cama e rolar pra lá e pra cá. Sussurrar seu próprio nome muitas e muitas vezes e usufruir da sua própria voz. Gemer. Gente, gemer é ótimo. Massagear o pé. Comprar um daqueles ganchinhos e coçar suas costas. Passar o dia sem calcinha nem sutiã. Dançar pelada, deixar tudo balançar. Usar os outros sentidos e aprender sobre nós mesmos além do que aparentamos.

Meu convite é que a gente se permita ser conhecida também em braile. Que a gente se permita ser ouvida, lambida, tocada, esfregada, cheirada. Que com esse corpo que é sentido, não só visto, só então, com esse corpo fresco, redescoberto pelos outros sentidos, encostar no outro, esfregar-se no outro, entregar-se pro outro, pros sentidos do outro. E aí, quando estivermos em espelhos, vitrines, fotografias, possamos perceber o corpo não apenas no que ele falha, mas no que ele oferece e proporciona. Em todos os sentidos.

biscatesocialclube.com

Aí vem o famoso “abrir mão” em nome do outro. O que é bem diferente de achar caminhos comuns de conviver com as diferenças e com as individualidades. Tanta dor por não conseguir ser o que se espera. Aí tantos relacionamentos bacanas desfeitos. Tantas mágoas. Tantas tristezas desnecessárias. Tanto choro. Tanto drama. Tantas noites em claro. Tanto sofrimento. Tanto amor bonito desperdiçado em nome de uma busca frenética por uma satisfação que não existe.

Lembro sempre de um conto da Clarice Lispector chamado “Perdoando Deus”, onde ela humildemente reconhece : “… É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é”. Será que um dia nós, ocidentais, capitalistas, possessivos de propriedades e de quereres nossos sobre o mundo, conseguiremos amar o que é?

Machismo de Schopenhauer, apesar de sua genial filosofia (não em todos os aspectos)

http://mariliacortes.blogspot.co.uk/2010/03/arte-de-lidar-com-as-mulheres.html

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